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Luciano Amaral

Só o fim do euro

Era mais ou menos previsível: o único tema que não se quis discutir ao longo da crise europeia, o do abandono do euro pelos países em dificuldades, entrou pela porta do cavalo de Tróia, mais precisamente pela do referendo grego à austeridade. E no entanto sempre andou por aí a pairar.

Luciano Amaral 4 de Novembro de 2011 às 01:00

Agora, a impossibilidade, o absurdo, apresenta-se como uma bem séria possibilidade. Mais valia tê-la visto desde o início enquanto tal e não como um delírio bom para ser varrido para debaixo do tapete. Não haverá pior abandono do que o abandono desordenado. Mais valia tê-lo previsto para melhor o enquadrar dentro de algo disciplinado.

Mas a grande história do referendo grego até é outra: a de que ele aparece como legitimação do Governo democrático perante a ameaça de um golpe militar. O que talvez se perceba: num país onde a democracia (o parlamento e o Governo) não parece garantir a soberania, despontam formas mais feias de afirmação dessa mesma soberania, nomeadamente aquelas baseadas na força das armas. Aconteça o que acontecer, fica o lembrete: a crise do euro é menos uma crise económica do que uma crise política e da democracia.

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