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Correio da Manhã

Opinião
19 de Julho de 2007 às 00:00
Prosas e títulos bombásticos, mesmo em jornais de referência, davam ao leitor desprevenido duas ideias: a) a de que se tratava de uma medida recente e inesperada; b) a de que tal medida ameaçava corroer as finanças dos clubes (como se elas não o estivessem já) e provocar uma “fuga de talentos” para o estrangeiro. E o exemplo ali estava, na ida do guarda-redes Ricardo, do Sporting (ele que era sportinguista desde pequeno) para o Bétis de Sevilha, onde, em vez dos 42% de IRS que o Fisco indígena lhe ia cobrar, iria pagar apenas 24%.
Ora, a verdade é que, em Espanha, os futebolistas pagam precisamente o mesmo que os outros contribuintes, o que há é um regime especial só para os estrangeiros (taxa única de 25%). Por cá, os futebolistas pagavam IRS sobre 50% do seu rendimento, até que a dra. Manuela Ferreira Leite, em 2002, o fixou em 60%, com aumentos sucessivos anuais de 10%, até aos 100% deste ano. É, portanto, uma novidade com cinco anos. E Ricardo não foi para Espanha por ter de pagar cá 42% mas porque o Bétis lhe oferecia um salário 3,5 vezes maior. Quanto aos 42% de cá, abrangerão, quanto muito, 10% dos 8600 jogadores profissionais, a maioria dos quais – isso, sim, é novidade para muita gente – ganham menos de 5000 euros por mês.
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