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Correio da Manhã

Opinião
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24 de Junho de 2004 às 00:00
Se a primeira fase do Europeu tivesse corrido como era previsto, o jogo de hoje, com a Inglaterra, no Estádio da Luz, seria a nossa primeira final. Assim, será a terceira (depois de Rússia e Espanha) e uma das vertentes a ter em conta será o peso do desgaste físico-emocional dos jogadores, embora, no caso concreto, os portugueses até tivessem disposto de mais 24 horas de descanso do que os atletas ingleses.
Outra das questões que poderá marcar o dia de hoje tem a ver com o número de bilhetes vendidos aos adeptos de cada um dos países. A confirmarem-se as notícias das últimas horas, segundo as quais haverá mais bilhetes na posse de adeptos ingleses do que portugueses, estaremos ainda a contas com um factor extremamente importante - e revelador. Portugal jogará em terreno neutro e isso significará que alguém, na FPF ou na parte lusa da organização, não fez os trabalhos de casa. Nenhum comunicado o explicará devidamente.
Quanto ao que vai acontecer dentro do campo, não haja dúvidas: estarão frente-a-frente duas das melhores equipas da prova, com esquemas de jogo bem diferenciados.
A Inglaterra actua sempre com dois pontas-de-lança, neste caso Owen e Rooney. São dois jovens de características quase idênticas: rápidos, baixos, agressivos. São atípicos em relação à história do futebol inglês, que se construiu com base na máxima de correr, cruzar, rematar. Na equipa de Eriksson cruza-se pouco, porque de cabeça nenhum dos dois (avançados) chega lá. Dando-lhes espaço... é o que se tem visto.
Portugal é uma equipa mais imprevisível. Scolari gere um maior número de talentos. Na Inglaterra não há nenhum futebolista que se assemelhe a Deco, Cristiano Ronaldo ou Figo e o ponto fulcral é o trabalho de Scholes. É à volta dele que tudo se passa, mesmo que o ruído informativo se faça em torno de outros, nomeadamente do geómetra Beckham. É aí, no meio-campo, que vai acontecer a maior luta e é talvez a pensar no 4x4x2 inglês que Scolari volta a admitir fazer uma ou duas alterações na equipa, sendo que apenas uma está certa: a troca de Pauleta (castigado) por Nuno Gomes.
Noutro contexto, poder-se-ia admitir uma organização de três centrais, muito ao gosto do seleccionador quando dirigia o Brasil. Portugal jogou assim contra a Alemanha, em 2000, com Humberto Coelho e ganhou por 3-0. Será difícil, no entanto, que Scolari arrisque um sistema que com ele resultou sempre mal, mesmo que teoricamente permitisse um melhor preenchimento do meio-campo e uma guarda mais directa a Rooney e Owen.
Mais do que com a táctica, estes jogos ganham-se com atitude e carácter – e se a equipa portuguesa jogar como o fez contra a Espanha é muito possível que venhamos a estar nas meias-finais do Euro’2004.
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