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Correio da Manhã

Opinião
21 de Abril de 2008 às 09:00

O sítio volta a estar muito animado e divertido com o que se passa no PSD. E os cidadãos devem mesmo agradecer imenso aos laranjinhas estes gloriosos momentos de humor que fazem esquecer por momentos a subida dos juros, a crise dos mercados financeiros, o endividamento galopante, a inflação altíssima, o desemprego que ameaça disparar por aí acima e todas as desgraças do quotidiano deste sítio pobre, deprimido, hipócrita e, evidentemente, cada vez mais mal frequentado.

Seis meses depois de ter batido com estrondo Marques Mendes em eleições directas, Luís Filipe Menezes anunciou a sua demissão de presidente do PSD zangado, chocado e muito magoado com os críticos do seu partido. Menezes garante que não se vai candidatar nas directas de 24 de Maio, mas a verdade é que ninguém acredita que essa declaração solene seja levada até às últimas consequências. E isto porque o ainda líder do PSD é muito dado a posições radicais e contraditórias, muito dado a emoções, muito dado a falar com o coração na boca. Foi assim no célebre congresso do Coliseu, quando saiu banhado em lágrimas depois de ter sido afastado das listas de Fernando Nogueira na sequência de um ataque aos liberais, sulistas e elitistas que apoiavam Durão Barroso.

Foi assim anos mais tarde, no também célebre processo das viagens-fantasma dos deputados, quando chorou convulsivamente numa televisão. Seja como for, o espectáculomontadopor Menezes promete dar muito que falar e provocar uma autêntica chuva de candidatos ou putativos candidatos à liderança do PSD. Para já apareceram Patinha Antão, Neto da Silva e Pedro Passos Coelho. Mas como o andor ainda não saiu da sacristia, espera-se que Pedro Aguiar-Branco se decida e que as Donas Constanças dos laranjinhas, como Manuela Ferreira Leite, Rui Rio e António Borges, para não falar em outros, se entendam nos joguinhos de bastidores e ponham a cabecinha de fora.

É evidente que o PSD tem andado à deriva, sem qualquer homem ao leme. É evidente que o PSD diz hoje uma coisa e amanhã o seu contrário. É evidente que o PSD tem andado de braço dado com a CGTP pelas ruas do sítio. É evidente que o PSD tem mostrado aos indígenas que é sempre possível fazer-se política rasteira, baixa, sem nível, quando se põe em causa a jornalista Fernanda Câncio por ter uma relação com o primeiro-ministro. É evidente isto tudo. Mas não há drama nenhum, nem o regime vai abaixo com este folclore. O sítio está divertido com a crise do PSD porque daqui a um ano vai voltar a eleger Sócrates para a chefia do Governo. Com maioria absoluta.

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