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Correio da Manhã

Opinião
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25 de Julho de 2011 às 00:30

Portugal foi um beneficiário líquido do novo pacote de ajuda à Grécia que a União Europeia aprovou. Lográmos obter uma significativa redução da taxa de juro do empréstimo que nos foi concedido e um alargamento sensível do prazo do seu reembolso. Perante este importante efeito colateral do caso grego, logo surgiram alguns cidadãos dizendo, em termos pejorativos, que Passos Coelho teve muita sorte. É verdade, teve sorte. Mas é bom para Portugal ser dirigido por um primeiro-ministro com sorte. Um chefe de governo com falta de sorte é que seria um grande azar. Seria mesmo o azar dos Távoras.

O que já foi menos comentada foi a reacção que Passos Coelho teve perante esta inesperada ajuda comunitária. Em vez de embandeirar em arco com uma qualquer ideia de facilidade, o que o primeiro-ministro enfatizou foi a necessidade de o País acelerar o cumprimento do acordo que celebrou com a troika. Ou seja, em vez da facilidade, valorizou a exigência, em vez da simpatia, preferiu o discurso do rigor. Convenhamos que esta forma de agir não é muito normal em Portugal. Mas é a única correcta e necessária. Aqui, sim, é caso para dizer que temos a sorte de ter um primeiro-ministro lúcido e determinado. Tem visão estratégica.

A verdade é esta: Portugal só tem hipótese de ter sucesso se for diferente da Grécia. Se cumprir o acordo que celebrou, se o cumprir sem falhas, se o cumprir antes do tempo previsto, se o cumprir com vontade e convicção. Mais ainda: se formos capazes de ir mais longe do que o que está previsto no acordo, reformando ainda mais e com maior profundidade, aumentaremos o nosso grau de sucesso. Esta é a única estratégia que nos conduzirá à vitória. Uma estratégia que não se compadece com facilidades ou recuos.

Além do mais, como se vê, a atmosfera que nos rodeia não convida a facilidades. Além de uma Europa no estado letárgico em que tem vivido, temos agora também mais actos de terrorismo a ensombrar o ressurgimento de um clima de confiança tão indispensável ao nosso futuro. Quando menos se espera e donde menos se espera, surgem nuvens negras no horizonte. Mais uma razão de peso para fazermos o que só de nós depende. O nosso próprio trabalho de casa.

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