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Correio da Manhã

Opinião
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2 de Dezembro de 2003 às 01:07
Tal pai, tal filho. António Sousa, treinador do Beira-Mar desde Janeiro de 1997, foi um centro-campista fabuloso, uma “avis rara” na cena futebolística nacional dos anos 80. Seco de carnes, parco de palavras, tinha técnica requintada, visão periférica, pontapé “atómico” e uma propensão invulgar para marcar golos estupendos... nas grandes ocasiões. O filho Ricardo herdou-lhe parte dos talentos e é seguramente o futebolista português que mais golos “de autor” tem assinado na presente SuperLiga. O golo ‘axadrezado’ na Reboleira resultou de (mais) um extraordinário pontapé de trivela deste esquerdino que, à sua conta, assinou mais de metade (7) dos golos do Boavista (13). Mas, ao contrário do pai, cuja carreira é um modelo de estabilidade – há quase sete anos (!) no banco do Beira--Mar – Ricardo não conseguiu ainda criar raízes num clube. Em seis épocas de profissional, cirandou pelo Beira-Mar (três ocasiões), FC Porto, FC Porto B, Santa Clara e Belenenses, mas até agora só em Aveiro, treinado pelo pai, conseguira ser titular de caras e brilhar. Desfeito pela terceira vez o laço umbilical com a ida de Ricardo para o Bessa, parece que desta vez ninguém ficou a perder com o negócio. O Beira-Mar joga que se farta, ganha e encanta; António Sousa está nos píncaros; e o filho Ricardo, no Bessa, é o que se vê. Não sei até que ponto o perfil e o discurso “espartano” de António – além do amor ao Beira-Mar, evidentemente – lhe atrasarão o salto para outro patamar, nem sei se Ricardo deixou definitivamente de ser inconstante. Sei que enquanto durar é bom. Porque os Sousas são artistas. De cepa.
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