Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
1
23 de Dezembro de 2003 às 00:00
Costuma dizer-se que as equipas são a imagem do treinador, mas não há como este Sporting para desmentir essa ideia. Os ‘leões’ são a cara do presidente. Se o Sporting fosse o reflexo do rosto de Fernando Santos, o treinador, viveria contraído. Sem momentos de sossego, é duvidoso que sofresse golos. Quer dizer, uns encaixaria, claro, mas nunca aqueles do banho turco, muito menos o de Orestes, que custou a eliminação da Taça. Fosse um dia o Sporting apenas de Fernando Santos, nunca daria descanso ao adversário e por isso os jogos seriam intensos, muito sobre o meio-campo.
O ataque resolver-se-ia com fé e Liedson, a grande descoberta do futebol português depois de Derlei. Mas este Sporting é muito mais parecido com Dias da Cunha. Por isso tem um perfil quase indefinível. Admira-se um conjunto que tem Polga, Rochemback, Pedro Barbosa e João Pinto, como se concorda com o líder do Sporting em alguns pontos-chave. Mas embirra-se com a forma descuidada de defender, o jogo hesitante nos flancos, a ausência de alternativas a Rochemback, João Pinto não aparece, Pedro Barbosa precisa de um empurrão e Silva entrega-se à marcação. Nessas alturas, o Sporting parece um discurso de Dias da Cunha: soluçante, com ténues pontos de contacto com a realidade, existindo já para além da lucidez. Frente à U. Leiria, o Sporting começou por ser de Fernando Santos. Com o passar do tempo surgiram os nervos, perdeu-se o futebol razoável, a equipa acabou salva por dois erros da pior arbitragem da SuperLiga.
Se um dia destes se perceber que o Sporting verdadeiro é o das provas a eliminar, das contas no vermelho e do discurso delirante, e não o que vai mantendo uma distância aceitável para o FC Porto, por favor não culpem o engenheiro. Seria fácil de mais.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)