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Correio da Manhã

Opinião
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20 de Janeiro de 2006 às 00:00
Um final difícil para quem cometeu vários erros no desenrolar do processo Casa Pia. Muitos, e talvez nem os mais graves, por estar mal preparado para lidar com ferozes pressões políticas e mediáticas, como as que o caso de pedofilia gerou. E não desde o início, porque até aí milhares de portugueses mal tinham ouvido falar dele e no princípio o verbo era apenas um motorista pervertido. Só quando apareceu o nome de Paulo Pedroso os telefones começaram a tocar. E ao mais alto nível, como se viu quando se soube que Ferro Rodrigues ligara a pedir ajuda a António Costa – o socialista que em 2000 propôs Souto Moura para procurador-geral da República.
Os deputados da Assembleia da República vão hoje ter os esclarecimentos que desejam, alguns sem nunca terem esclarecido quem os elegeu sobre o que os levou a receber em ombros um, então, suspeito de pedofilia, nas galerias de um órgão de soberania. Mas esta “intromissão abusiva”, como a classificou José António Barreiros, tem um valor relativo, porque nem só Souto Moura teve as mãos nas disquetes do envelope 9. Ricardo Sá Fernandes, advogado de Carlos Cruz, como se soube logo, consultou-as. Mas não só, afinal. Copiou-as também. O que não faz dele culpado, apenas suspeito. E reforça a importância da exigência de Jorge Sampaio para que tudo seja clarificado “a curtíssimo prazo”.
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