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Correio da Manhã

Opinião
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29 de Junho de 2010 às 00:30

A sustentabilidade passou há alguns anos atrás a fazer parte do nosso vocabulário quotidiano. Traduz um conceito que afirma que o desenvolvimento se deve operar não prejudicando as gerações futuras, o ambiente que nos rodeia, a coesão social da nossa comunidade, tentando produzir os bens e serviços de que carecemos. A sustentabilidade é exigente porque coloca nas nossas mãos objectivos que devemos prosseguir. Duvido que muitos de nós tenhamos percebido o seu real significado. Após a entrada na Europa, alguns – e não poucos – crêem que a sustentabilidade é ter alguém que nos sustenta, independentemente do que fizermos. A sustentabilidade não seria a responsabilidade de fazer, mas a dependência de outro, que se pode chamar país, padrinho, Estado ou Europa.

O engano é tão grande que provocará decepção e forte. O Presidente da República tem chamado a atenção para o facto de, se continuarmos com os baixos níveis de produtividade e competitividade que exibimos, se não produzirmos o suficiente para gerar rendimentos que paguem as nossas elevadas dívidas, não teremos sustentabilidade. O Primeiro-Ministro detesta o conceito porque, se se lhe referir, é óbvio que só o pode fazer nos termos que o Presidente explicita. Por isso, o diálogo entre eles é de surdos, quando deveria ser vivo, loquaz e, acima de tudo, perceptível para os portugueses, para, em função disso, iniciarmos o desbloqueamento dos nossos problemas. É negativo que assim seja, pois a primeira coisa a fazer quando se tem problemas é reconhecê-los. Sócrates recusa-se a isso. Acha que o mundo está mal e é ele que nos contamina, esquecendo que antes disso, e para além disso, já estávamos doentes.

Optimismo não é ignorar, não é meter a "cabeça na areia". É reconhecer os problemas e fazer-lhes frente com ânimo e verdade. O patriotismo afere-se por isso e não esconder e dissimular. Este Governo tem desde há dois meses capacidade para não ter receio, e já percebeu que, pelo País, tem na oposição quem se disponha mesmo com eventual sacrifício apoiar as medidas necessárias. Ainda não percebi o problema do Governo; autismo, displicência, incapacidade, ignorância? De tudo um pouco? Portugal não pode esperar, empobrecendo dia a dia. Um dia há, em que teremos de inverter a tendência. Um dia há, em que todos teremos de arregaçar as mangas. Todos, inclusive os que julgam que a "sustentabilidade" é esperar pelo milagre ou pela continuação da dependência. É urgente dizer ao País como estamos, não para chorarmos mas para percebermos o que temos de fazer e que caminho devemos trilhar.

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