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Correio da Manhã

Opinião
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F. Falcão-Machado

Tamayo reinterpretado

Numa avaliação das iniciativas culturais mexicanas ocorridas durante o ano findo, merece destaque o muito que foi conseguido no campo da divulgação de grandes nomes da pintura mexicana. Como então se assinalou, realizaram-se no México, em 2007, duas importantes exposições retrospectivas de Frida Kahlo e de Diego Rivera, que alcançaram indesmentível sucesso designadamente no que respeita ao número de visitantes que ambas receberam.

F. Falcão-Machado 4 de Janeiro de 2008 às 00:00
Todavia, é justo evocar uma outra retrospectiva realizada na Cidade do México já perto do final do ano e que, embora menos divulgada, não deixou de ser também um êxito. Referimo-nos à exposição “Tamayo Reinterpretado”, reunindo mais de 90 obras desse notável pintor que foi Rufino Tamayo (1899-1991).
Oriundo de uma das regiões mais típicas do México, Oaxaca, onde cedo revelou o seu talento, Rufino Tamayo completou a sua formação artística em Paris no início do séc. XX. Aí conviveu com Picasso e outros nomes grados das artes plásticas e conheceu as escolas cubista e surrealista. Regressado ao seu país, ignorou aparentemente a dinâmica da chamada “Revolução mexicana”, o que lhe valeu a animosidade de alguns seus contemporâneos, que o acusaram de insensibilidade para as questões políticas e sociais que agitavam o México na primeira metade do século passado. Essas críticas, porém, não passavam de visões demasiado ligeiras de uma obra cujo sentido profundo recuperava elementos importantes das culturas pré-hispânicas e os projectava numa espécie de misticismo nacionalista, a que tão-pouco eram alheias inquietações sobre os desafios da modernidade e o destino da Humanidade. Para tanto, Tamayo foi servido por uma elevada sensibilidade aos efeitos de luz, sombra e forma e, sobretudo, por um domínio perfeito, agressivo mesmo, dos efeitos da cor.
A exposição em referência constitui, pois, uma demonstração do valor de um artista que criou um cânone da arte mexicana contemporânea.
E o episódio anedótico ocorrido há pouco tempo em Nova Iorque, onde uma sua pintura, avaliada em um milhão de dólares, foi encontrada num caixote do lixo, apenas nos recordará de que é preciso ter cuidado com o que se deita fora...
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