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Correio da Manhã

Opinião
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José Rodrigues

Tempestade perfeita

Sem surpresa, o Orçamento para 2013 confirmou-se brutal nos sacrifícios que impõe e irrealista nos objectivos que aponta.

José Rodrigues 22 de Outubro de 2012 às 01:00

A situação é como a que Eça descreveu em ‘Uma campanha alegre’: "Uma política infiel aos seus princípios, vivendo num perpétuo desmentido de si mesma, desautorizada, apupada, pede ainda, a uma multidão inumerável de simples, a salvação da coisa pública. É trágico, como se pedisse a um palhaço de pernas quebradas mais uma cambalhota ou mais um chiste…"

O Orçamento veio acentuar as fissuras na coligação governamental, e a decisão do CDS de aprovar o documento assegura apenas uma paz podre: a coligação é como um casal desavindo que só não se separa para evitar o descalabro financeiro. Como se isto não bastasse, o primeiro-ministro começa a ver o seu nome envolvido em situações pouco claras, num processo que visa queimar na praça pública a imagem de homem sério em que o País sempre o teve.

Ainda que em banho-maria, a crise política traz mais nuvens a um horizonte já ensombrado pela crise económica e pela tensão social que o novo Orçamento promete agravar. Tudo se conjuga para uma tempestade perfeita neste pobre Portugal – ‘Poortugal’, como já lhe chamam.

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