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Correio da Manhã

Opinião
4 de Julho de 2004 às 00:05
Realiza-se hoje a final do Campeonato da Europa de 2004. Havia a expectativa de Portugal chegar longe na competição, mas convenhamos que poucos acreditavam que a Selecção Nacional pudesse chegar ao derradeiro jogo.
Ninguém na Europa ambicionaria – sejamos justos – uma final entre Portugal e a Grécia, dois países futebolisticamente considerados menores, não obstante, a carreira fantástica realizada pelo FC Porto nos últimos dois anos e da evolução protagonizada por alguns clubes gregos, nomeadamente o Panathinaikos e o AEK no futebol do Velho Continente.
A frio, percebemos que Portugal e Grécia merecem estar neste momento no topo das atenções, mas, até perante a natureza do adversário (e não pela sua capacidade competitiva real), seria extremamente redutor que, ultrapassadas todas as tormentas, Portugal não conseguisse agora “fazer o pleno”, isto é, derrotar a equipa teoricamente mais acessível, depois das vitórias sobre a Inglaterra e a Holanda e o deslize inicial – considerado atípico – perante os helénicos.
Em caso de vitória, Portugal preencher-se-á como um País vencedor. Vencedor em tudo . Vencedor em rapidez na construção dos estádios. Vencedor nos investimentos. Vencedor no controlo das derrapagens. Vencedor na construção de acessibilidades. Vencedor na organização do “melhor Campeonato da Europa de sempre organizado sob a égide da UEFA”. Vencedor na perspectiva do impacto económico. Vencedor no turismo. Vencedor na construção de infra-estruturas paralelas aos estádios. Vencedor na edificação de novos hospitais e auto-estradas. Vencedor, repito, em tudo.
Se , porventura, Portugal perder, não tanto como do costume porque perder uma final não é a mesma coisa que perder uma eliminatória, voltarão à carga alguns Velhos do Restelo, que não sabem separar o essencial do acessório.
O essencial é perceber que, neste País, depois do Euro’2004, há muito para resolver. Não é só a questão do treinador do Benfica. É o problema na reconstrução de um Governo para Portugal cuja decisão está nas mãos de um Presidente da República que já nos deu sinais suficientes de equilíbrio e bom senso.
Depois do Euro’2004, o País voltará à sua realidade, passará ou não pelo Campo Santana, com mais ou menos sorrisos; com mais ou menos bandeiras.
Ao contrário do que possa parecer, a pontaria de Jorge Sampaio é mais importante neste momento que a pontaria de Luís Figo, Pauleta ou Nuno Gomes.
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