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Francisco Moita Flores

Tontices

O ministro ideal é, pois, um saco de boxe. Leva e não geme. Muito menos refila.<br/>

Francisco Moita Flores 27 de Maio de 2012 às 01:00

Começa a sentir-se o Verão e, talvez por isso, enquanto a selecção nacional não for mesmo a única preocupação do País, já começámos a delirar. À falta dos golos de Cristiano Ronaldo e companhia, que nos tirarão qualquer apoquentação com a crise ou com o desemprego, como aperitivo ofereceram-nos o caso Miguel Relvas. Temos duas maneiras de atacar a coisa. Ou pela pressão feita sobre um jornal ou, então, pela sua intensa e perigosa intimidade com um ex-director das secretas com o qual jantou, ou tomou café, três vezes, e do qual recebeu meia dúzia de SMS.

Quem ler as notícias percebe que, numa primeira fase, nem o jornal valorizou um telefonema mais irritado do ministro. Depois a denúncia ganhou contornos dramáticos porque a ameaça seria o ministro revelar a vida privada da jornalista, o que, mais tarde se veio a saber, seria pelo facto de namorar ou ter uma relação com um homem do Bloco de Esquerda. Desisti de perceber a ameaça. Se o namoro é coisa privada, vou ali e já volto. De facto é da vida privada, mas é público. Aquilo que neste território da má--língua bem se poderia chamar uma parceria público-privada. Mas isto estava reduzido àquilo que na verdade é: um desentendimento. Coisas privadas que acontecem na vida pública, sem relevância, aquilo que em futebolês seria classificado de picardia.

Mas Relvas é apetitoso. E daí ao comentário dramático, empolado, com um forte sentido do trágico, e por esta razão da comédia, começa a despertar o ressabiamento, a engravatar-se o ódio pessoal, e só há um caminho : o homem tem de se demitir. O ministro ideal é, pois, um saco de boxe. Leva e não geme. Muito menos refila. De facto, a crise, o desemprego, os grandes problemas do País importam muito menos que um golo ou um SMS. E o ruído ridículo em torno deste caso só não mata porque ainda é possível acreditar que seremos campeões europeus e haveremos de ver a Irina do Ronaldo, descascadinha da silva, a beijar a taça, e aí, adeus ao domínio privado. E com razão. Entre o Relvas e a Irina não há escolha possível. É quase certo que os ressabiados do costume irão pedir a demissão dela. Mas aí não escreverei a gozar com tanta tontice documental. Ergo-me da minha cadeira e pedirei, enérgico, a demissão do Ronaldo.

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