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Correio da Manhã

Opinião
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10 de Agosto de 2011 às 00:30

O mundo é global e a crise de hoje chega-nos pela TV como se fosse no fim da rua. Com a queda do muro de Berlim, a História não acabou… a democracia liberal alargou--se em novas vagas na Europa de Leste, na América Latina e agora no mundo árabe mas o planeta não deixou de ser perigoso. A tensão nuclear abrandou mas brotaram vírus de terrorismo.

A emergência de novas potências económicas como a China, a Índia ou o Brasil tirou da miséria centenas de milhões de pessoas mas alterou radicalmente os equilíbrios herdados da II Guerra Mundial. A vitória na Guerra Fria arrastou uma vaga de pensamento único baseado no primado dos mercados que gerou a maior concentração de riqueza de sempre resultante, não da produção agrícola ou industrial como no passado, mas sim de ganhos financeiros largamente especulativos. A vitória da liberdade é manchada pela escandalosa multiplicação das desigualdades que a contra-revolução em curso desde 2008 tem acentuado.

As vítimas da nova economia global têm vários graus, desde os Estados falhados como a Somália até aos novos pobres da classe média no desemprego por cortes de custos de empresas que esquecem as pessoas pelo nível de lucros a distribuir aos accionistas.

Mas se a revolta contra a austeridade dos gregos era uma bizarria distante de povo colérico sem a ancestral resignação lusitana, os motins de Londres provocam a estupefacção geral. O Reino Unido não está no euro mas em 2008, para salvar os bancos, triplicou o défice e aumentou a dívida (terá sido também culpa de Sócrates ?). O Governo conservador tem sido de uma fúria intensa contra a base do contrato social britânico – boas universidades públicas, serviço nacional de saúde, apoios sociais e integração de imigrantes.

O risco da vaga liberal é a rutura social em que pobreza, desespero e oportunismo criminoso se misturam de forma descontrolada. Todos conhecem Tottenham pelo futebol mas poucos sabem que é o bairro de Londres com maior taxa de desemprego e largas comunidades imigrantes. Vítor Gaspar e o super--Álvaro devem estar atentos para que, com ou sem troika, não haja segunda mão desta eliminatória nas Portas de Benfica.

(Opinião segundo as regrasdo Acordo Ortográfico)

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