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Correio da Manhã

Opinião
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4 de Agosto de 2007 às 00:00
E merece a pena visitar essa cidade pois o seu povo é deveras afável e a terra tem muito que ver.
Acima de tudo, porém, Tordesilhas evoca em nós um acontecimento de extraordinário alcance histórico que foi a assinatura do Tratado do mesmo nome, negociado entre os representantes dos Reis Católicos de Espanha e de D. João II de Portugal. A equipa portuguesa era chefiada por D. Rui de Sousa e dela fazia parte o célebre Duarte Pacheco Pereira. Após complexas negociações diplomáticas, os termos do acordo foram ajustados a 7 de Junho de 1494, naquela localidade, tendo sido depois ratificados pelos Reis Católicos, em Arévalo, a 2 de Julho de 1494, e pelo rei D. João II, em Setúbal, a 5 de Setembro do mesmo ano.
Como é sabido, o Tratado de Tordesilhas dividia o Mundo em dois hemisférios a atribuir, respectivamente, a Portugal e a Espanha, as duas maiores potências navais daqueles tempos. Assim, todas as terras descobertas a oriente de um meridiano traçado a 370 léguas (1770 km) a oeste de Cabo Verde seriam concedidas a Portugal e, paralelamente, todas as terras encontradas a ocidente do mesmo meridiano passariam a pertencer à Coroa espanhola.
Ainda hoje não são claros os fundamentos daqueles critérios de divisão. É costume atribuí-los ao conhecimento que já haveria na época da existência do Brasil, descoberto ‘oficialmente’ seis anos depois (1500), mas também não lhes terão sido alheias as particularidades da navegação à vela, que obrigavam os navios que rumavam para a Índia a seguir uma rota muito alargada para oeste a fim de evitar as ‘calmarias’ e as correntes adversas do golfo da Guiné.
O Tratado de Tordesilhas gerou grandes polémicas internacionais, mas isso será tema de uma próxima crónica.
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