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Correio da Manhã

Opinião
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Paulo Fonte

Tudo pela música

"O que está em causa só pode ser percebido ao mais alto nível artístico e tenho dúvidas de que a Justiça o perceba." A enigmática frase pertence ao maestro Miguel Graça Moura, julgado sob a acusação de falsificação de documentos, peculato e apropriação indevida de bens, despesas feitas com cartões da Orquestra Metropolitana de Lisboa, por si dirigida durante 11 anos.

Paulo Fonte(paulofonte@cmjornal.pt) 3 de Novembro de 2012 às 01:00

Apresentados os argumentos, resta saber qual o tom de sensibilidade musical da juíza no que toca aos gastos em questão, no mínimo difíceis de explicar ao comum mortal alheio ao mundo dos fagotes e violinos.

Conforme consta da Acusação, o total de fundos públicos indevidamente despendidos a título pessoal ascende a 720 mil euros. Entre os mimos, bem ao nível de extravagantes estrelas de rock, constam, no item despesas de representação, o aluguer de uma limusina durante uma viagem à Tailândia, um safari e uma viagem de balão, gastos relativos à casa do maestro, vestidos, charutos cubanos, jóias e, até, lingerie.

O maestro não nega as despesas, no entanto diz ser necessário enquadrá-las na gestão da orquestra. E acrescenta que a lei está do seu lado. Se é música ou não, cabe ao tribunal decidir.

 

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