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Correio da Manhã

Opinião
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9 de Maio de 2009 às 00:30

Ora o movimento sindical não tem nada a ganhar com essas situações e deve providenciar para que casos desses não se repitam nas próximas acções anunciadas. Contrariamente à versão dominante, não creio que a ida mal organizada de Vital Moreira ao Martim Moniz tivesse como finalidade arrecadar uns votos para as eleições do PE. O próprio cabeça de lista do PS sabe o que suscita junto das camadas populacionais mais sacrificadas, primeiro pelas medidas governamentais de austeridade, e depois, pela crise económica. De certa maneira foi feito um teste à capacidade de disciplina da CGTP, e é aqui que bate o ponto. Ou a CGTP percebe rapidamente que a sua mais-valia na sociedade portuguesa é a de lutar pelas suas reivindicações num clima de ordem e de ausência de violência, garantindo ela própria o seu sistema de segurança, ou estas cenas com mais ou menos pretextos provocatórios irão repetir-se com prejuízo para a ordem democrática em geral e para o sindicalismo em particular. Mesmo o alerta de bomba noticiado na manifestação da UGT se insere nesse clima anti-sindical.

Com todos estes acontecimentos ninguém indagou quais as estimativas do número de manifestantes nesse dia.

Curiosamente a imprensa internacional não deu importância ao que se passou em Portugal nos relatos sobre o Primeiro de Maio no mundo.

DOIS MODOS DE DEFESA

O que deve fazer Dias Loureiro em relação ao seu cargo de Conselheiro de Estado é uma questão que os cultivadores de uma boa imagem das instituições democráticas se colocam, havendo mesmo quem considere que o influente barão do PSD já perdeu o melhor momento de sair com elegância. Certo, Dias Loureiro ainda não foi acusado de nada. Mas a forma como abandonou o BPN, o seu modo delével de assinar documentos, e a sua estranha memória não o habilitam a aconselhar o PR. E talvez se tivesse explicado melhor na comissão de inquérito caso não ocupasse já o cargo.

Tem precedentes no regime: Isaltino de Morais, Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro, entre outros, resistiram ao máximo à onda condenatória nos respectivos cargos. Há outro modelo: o de Walter Rosa e de António Vitorino que, por nadas, se demitiram do governo. Ora um meio-termo virtuoso ainda é possível. Basta Dias Loureiro dar o exemplo.

JOSÉ SEGURO: VOTAR CONTRA SOZINHO

António José Seguro votou sozinho no parlamento contra as modificações da lei de financiamento dos partidos, tendo o deputado do PS justificado o seu voto com o facto deste diploma permitir de novo uma subida das contribuições em dinheiro vivo por particulares sem sequer fazer diminuir os subsídios do Estado previstos para o abandono daquela antiga prática.

Votar sozinho contra toda a assembleia sem pretender um estatuto de excentricidade é um acto que define um carácter. Gostei.

PAPAS MAIZENA

Gostava de papas Maizena e comi-as polvilhadas de canela enquanto pude sem pedir certificado de consumo. Mas foi há muito tempo e já me tinha esquecido dessa habilitação para a vida quando Manuel Pinho veio repor as papas na dieta das personalidades públicas. O simpático ministro das empresas até tem cara de quem ainda as come…

BERLUSCONI NO SEU MELHOR

Visto do exterior Berlusconi é um espectáculo digno de nota e às vezes de dó. Esteve na RAI como se estivesse de pantufas. Permite-se tudo porque é puro poder próprio. Nada deve aos senhores do mundo e não depende deles que não o conseguem despedir. Basta ler a imprensa global que manda para perceber que Berlusconi os incomoda. Como incomoda o casamento burguês com o seu machismo infantil.

A SEGUIR

Visita do Papa: A visita de Bento XVI ao Médio--Oriente região onde a Santa Sé tem uma política internacional muito própria e pouco analisada;n A Menina Júlia de Strindberg no D. Maria, com encenação de Rui Mendes e com Beatriz Batarda em grande;

Liga de Honra e as três últimas jornadas da Liga de Honra de futebol: Olhanense, St. Clara e U. Leiria, uma destas equipas não vai subir à primeira divisão.

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