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Correio da Manhã

Opinião
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4 de Junho de 2007 às 09:00
A palavra deserto entrou na agenda política deste sítio cada vez mais mal frequentado pela boca de um senhor ministro que devia saber que os almoços nunca são grátis e raramente são bons conselheiros. Mas Mário Lino escreveu direito por linhas bastante tortas. O deserto não está ma Margem Sul. O deserto, político, está no Governo a que o senhor engenheiro inscrito na Ordem pertence. Basta parar, escutar e olhar para os ministros e ministras do Executivo liderado pelo senhor licenciado em engenharia José Sócrates.
Manuel Pinho há muito que anda perdido na China, pelas ruas de Pequim, a pensar que está em Nova Iorque, agarrado aos salários baixos dos portugueses e impedido pelo chefe de dizer mais disparates em público. Correia de Campos é manifestamente um caso de urgência médica, desautorizado pelo chefe na história do encerramento de serviços e cada vez mais remetido a um prudente silêncio. Mário Lino anda perdido entre almoços e aeroportos, cada vez mais desesperado com uma realidade que teima em não compreender, agarrado a uma fé que já foi de Moscovo e agora anda por aí, algures na Ota.
Isabel Pires de Lima é uma nulidade, uma despesa inútil para um Estado que gasta muito e cobra ainda mais aos cada vez mais pobres cidadãos deste sítio que ainda insiste em chamar-se país. Vieira da Silva fez a reforma da Segurança Social e anda agora perdido pelos números assombrosos do desemprego e o discurso liberal e pragmático do chefe sobre a matéria, sem dinheiro e sem poder para aplicar a velha fórmula socialista de pôr o Estado a arranjar emprego para a estatística. E como no melhor pano cai a nódoa, Maria de Lurdes Rodrigues ficará sempre marcada por não ter parado um miserável processo de bufaria e não ter despedido uma Torquemada socialista que não percebeu definitivamente o que é democracia e não ama decididamente a liberdade.
E como vários males nunca vêm sozinhos, José Sócrates empurrou António Costa, o único ministro político a sério, para a Câmara Municipal de Lisboa, e está agora, no Governo e no PS, a falar para o espelho mágico convencido de que não há homem tão inteligente, tão determinado, tão corajoso e tão elegante neste rectângulo triste e deprimido. O pior é a bruxa má, que ali para os lados de Belém espreita todos os dias a oportunidade de acabar com a chamada cooperação estratégica e procura, afincadamente, afundar, devagar, devagarinho o Governo nas areias movediças do eventual aeroporto da Ota. É a sina socialista. De pântano em pântano até à derrota final.
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