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Correio da Manhã

Opinião
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26 de Março de 2008 às 09:00
Sucessivamente, ao longo dos tempos, procurámos um desígnio para Portugal. Algo que fizesse sentido e nos mobilizasse para andar para a frente. Nas décadas anteriores tivemos a consolidação da democracia, a adesão à CEE e a entrada no Euro que nos obrigaram a lutar por objectivos concretos. Todos eles foram alcançados, na generalidade, ainda que de forma imperfeita e deixando ainda desafios para concretizar. E, agora, que desígnio para Portugal? Portugal precisa de Ser. Ser melhor. Ser coeso. Ser global.
Um Povo deve, antes de tudo, Ser. Ser portador de uma identidade forte que se consolida ao longo dos séculos e de um código genético que ganha densidade com o tempo. Que se reconhece – com orgulho – como original e que recusa imitações baratas. Para Portugal ser, é fundamental que os portugueses não tenham vergonha de si nem vivam permanentemente a desfazer-se. Para Portugal ser, é necessário cuidar da memória para construir um futuro com carácter. Para Portugal ser, é urgente valorizar a Língua e proteger o Território.
Mas não chega ser. Isso é só o princípio. Há que Ser melhor. Sempre. Em tudo e envolvendo todos. Um enorme desígnio para os portugueses é cultivar o aperfeiçoamento em cada gesto. Porque tudo o que vale a pena ser feito vale a pena ser perfeito. Como um atleta que vai melhorando as suas marcas, um futebolista que vai afinando a execução dos livres ou um músico que ensaia sem cessar para aperfeiçoar a técnica. Precisamos de ser melhores, nas pequenas e grandes coisas. Como uma obsessão. Sempre melhor, com um passo a cada dia. Cada um de nós pode definir em quê, como e para quê. Se fosse possível que cada português integrasse esta ambição na sua agenda o País daria um salto extraordinário.
Outra face do novo desígnio para Portugal é Ser coeso. Como comunidade, devemos avançar sem perder ninguém nem deixar ninguém de fora. Há que reduzir o fosso entre os mais ricos e os mais pobres, numa sociedade mais justa e, por isso, mais coesa. Precisamos de cultivar os laços que nos unem. De aumentar o nosso capital social, de ter mais confiança nos outros e no País. Antes de procurarmos o que nos separa precisamos de construir a partir do que nos une.
Finalmente, Ser global. Somos um povo, no dizer de Vieira, a quem Deus deu Portugal para nascer e o Mundo para morrer. Precisamos de redescobrir os caminhos do Mundo. Sentirmo-nos bem nas arenas internacionais. Sermos capazes de dialogar com desconhecidos, de nos radicarmos em qualquer parte do Planeta, de nos tornarmos próximos. Precisamos de saber comerciar com eficácia e aprender, além fronteiras, com dedicação.
Olhando para mais de oito séculos de sucessos e insucessos – tantas vezes capazes de ir à Índia mas por vezes incapazes de chegar a Cacilhas – importa a todos mobilizar, sem excepção, para as novas Índias e para as Cacilhas de sempre.
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