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Correio da Manhã

Opinião
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10 de Novembro de 2007 às 09:00
Esta crónica é hoje um espaço satírico, sendo todo o seu conteúdo ficcional. “Se não aconteceu… podia ter acontecido”.
O único Mário Botequilha que conheço mora na Parede, usa óculos e vive atormentado com herpes, com permanentes recidivas, provavelmente à conta dos sítios podres onde descansa a língua. Já ouvi muitas histórias deste ermita, zangado com o mundo, sempre à procura de esfolar vivo um qualquer cidadão que lhe passe pela frente e não tenha um ar macambúzio parecido com o que ele próprio afivela no rosto para disfarçar traumas de infância e depressões de adulto. É um tarado que vai “esfaqueando” as pessoas que colecciona e coloca no seu índex. Que se saiba, vive apenas e só do veneno que vai vomitando no “Inimigo Público”, sabe-se lá com que intenções e ao serviço de quem…
Não sei se se trata do mesmo MB que, em tempos idos, bateu com os costados nas grades por ter fanado o património da avó em pratas para “degustar” doses elevadas de heroína. Mas é provável que seja o mesmo que esteve na base deste acto tão caridoso que “aliviou” a família dos seus pertences mais pesados e “démodés”. “Se não aconteceu assim… é evidente… podia ter acontecido”. E por isso não tem nenhuma importância. Ficção é ficção. Há dias esta figurinha mansa que odeia a luz do dia e adora as noites escuras fazia um bobó (comida feita com feijão, banana e azeite de dendê, com inhame ou mandioca) em plena Parede.
O público em geral não sabe mas este verme tem dupla personalidade. Agiganta-se na sacanagem atrás do IP e depois “perde-se”, num tom blandicioso, a fazer bobós. Mas a verdade é que ele não gosta de ter ninguém em casa. Nem os amigos. Amigos? Desta vez concedeu… Lá juntou uns tantos, risadinha para aqui, risadinha para ali, em volta do bobó. Foi uma noite de emoções. A sua “prémière”. MB estava “inchado” no seu vestido de popelina… mas o cheiro, Senhor, o cheiro catingoso foi difícil de suportar, dizem-nos.
Apesar de tudo, o “conclave” reuniu e cumpriu a sua missão. MB foi mandatado para queimar em lume brando os inimigos do regime. MB foi mandatado para dar largas à sua imaginação e produzir textos puros. MB ficou definitivamente em full-time nesta tarefa nobre e difícil de esturricar a dignidade e a honra das suas vítimas em vez de escrever textos satíricos. Não há dúvida, fora a escolha certa. O homem tinha a cabeça cheia de autos de fé e vivia inspirado nas palavras sagradas da Santa Inquisição. Deliciava-se com a criatividade dos carrascos. Um espeto nos olhos ou uns olhos no espeto, e por aí adiante… MB, escondido na Parede, escreve que se desunha e tem palco. Todos os crápulas têm palco nos tempos que correm. Falta-lhe, no entanto, ironia, humor, sátira e criatividade. Coitado…
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