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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

Um país à rasca

O sobressalto cívico da geração de jovens qualificados sem emprego ou com vínculos precários, que têm na canção dos Deolinda um hino, levou ao protesto nacional da "geração à rasca".

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 12 de Março de 2011 às 00:30

Mas, depois de conhecido o novo pacote de austeridade, PEC 4, dizer que há apenas uma geração à rasca é como estar na floresta a olhar apenas para uma árvore e esquecer as outras. Neste país de 10,6 milhões de residentes, não é exagerado dizer que, exceptuando algumas centenas de privilegiados, toda a gente está à rasca.

A brutal austeridade que reforça o aperto do cinto do PEC 3, corta prestações sociais, dificulta o acesso à saúde e penaliza particularmente os reformados, que são triplamente atacados com corte no rendimento, aumento de IRS, pelo fim da dedução específica, e são ainda obrigados a gastar mais com os remédios.

Mas todos os contribuintes perdem com as limitações nas deduções. O acordo de Catroga fica na imagem do telemóvel e só é válido para este ano. Um corte extra de 1,5 mil milhões de euros em 2011 é o preço a pagar para o País continuar na moeda única. Mas há outros custos que não estão contabilizados, como o dos trabalhadores por conta de outrem, que passam a precários graças ao corte das indemnizações. Num País onde o problema é o desemprego, o Governo dá mais um incentivo à precarização do trabalho.

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