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Correio da Manhã

Opinião
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4 de Março de 2011 às 00:30

Não deixa de ser extraordinário que este encontro, anunciado com pompa e circunstância, se tenha reduzido a um chazinho de meia hora. Foi só o tempo de tirar uma fotografia, mostrar o trabalho de casa, ouvir uma reprimenda paternalista da senhora chanceler ("sim, o menino tem-se esforçado, mas precisa de trabalhar um bocadinho mais") e engolir mais uma exibição da profundidade intelectual do nosso querido primeiro-ministro, que voltou a garantir à pátria que não precisa da ajuda externa para nada. Porquê? Porque não. O dinheiro a mais que está a entrar nos cofres do Estado vai todinho para pagar os juros astronómicos da dívida? Vai. Mas o grande timoneiro nunca abandona a sua especialidade política: cerrar os olhos, baixar a cabeça e seguir em frente.

Infelizmente para Sócrates, só o facto de ele ter feito 5500 quilómetros para obter 30 minutos de contacto visual com Merkel desmente de imediato o discurso nacional--parolista do país "com oito séculos de História", que "só é subserviente com o seu povo". É evidente que o primeiro-ministro anda de mão estendida; é evidente que as emissões de dívida andam há meses a contar com o dinheiro do Banco Central Europeu; e é evidente que Sócrates não faz patavina de ideia do que fazer à vida sem os euros da senhora Merkel. Ouçam o que vos digo: os nossos filhos ainda vão acabar a estudar alemão nas aulas do primeiro ciclo.

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