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Correio da Manhã

Opinião
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9 de Janeiro de 2009 às 00:30

No entanto, houve então uma coisa que falta agora: perspectivas. Em 1985, tínhamos a CEE pela frente; em 1993, a moeda única. O regime viveu dessas possibilidades. E por entre recessões, fomos prosperando e tendo razões para votar nos partidos do regime.

Aquilo que nos separa desse passado não é a recessão, mas a ausência de horizontes. Divergimos da média europeia desde 2000. E em 2010 acabará talvez a recessão, mas não a estagnação.

O governo anda a esgotar os estimulantes tradicionais: obras públicas, educação. Nada fez ainda diferença. As oposições mostraram divergências, mas não alternativas simultaneamente diferentes e credíveis.

O Governo foi criticado por ter demorado a admitir esta recessão. Mas não é só o Governo, é toda a classe política que está a levar tempo a reconhecer que a crise económica portuguesa vai para além da recessão, e pode ser o princípio de outra: a do regime.

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