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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Octávio Ribeiro

Uma deusa chamada Nike

Há equipas para as quais o estatuto de favorito pesa como chumbo nas pernas. Entram em campo e parece que começam logo a jogar contra 12. Aos adversários soma-se o mais temível dos contras: o medo de falhar. A este medo de falhar muitos comentadores portugueses chamam ‘excesso de confiança’. Não é. O medo de falhar nos momentos decisivos tem um nome na psicologia: nikofobia.<br/><br/>

Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 11 de Junho de 2008 às 00:30

Nike, três milhares de anos antes de ser a marca de equipamentos hegemónica na selecção portuguesa, era a deusa grega da vitória. E foi de nikofobia que caímos aos pés de uma sólida Grécia no Euro’2004. Foi deste mal que padeceu Fernando Mamede nos momentos-chave da sua carreira. Quando a pressão sobe, com adversários e especialistas a atribuírem largo favoritismo aos jogadores portugueses, o fantasma aparece. O português gosta mais de surpreender do que de confirmar. É o nosso improviso em constante choque com o planeamento. Mas temos também honrosos exemplos que desmentem a regra. No atletismo, desde logo, Carlos Lopes ou Rosa Mota. E Fernanda Ribeiro. No futebol, a luta contra o fatalismo começou na geração de Figo. Jogadores com espírito positivo, fortuna e mundo, quase atiraram para trás das costas todos os fados maus. Mas se lembrarmos o Mundial de 2002 logo vemos o espectro da nikofobia bem presente naquelas vergonhas a Oriente.

Agora a geração é de Ronaldo, João Moutinho, Pepe e Bosingwa. O favoritismo que os checos ontem tentaram lançar para o lado português é uma arma mística que não precisa de ser rechaçada. Deve é ser devidamente utilizada.

Sim, somos favoritos. E depois? Cabe-nos mostrar a superioridade dentro de campo. Sem temores supersticiosos ou agachamentos.

Pelo lado português, Scolari combate o excesso de euforia. Portugal ainda não é campeão da Europa, diz o mestre. Pois não. E dificilmente o será se, na fase de grupos, tiver medo de assumir o jogo com a superioridade que lhe dá a soma do valor das suas pedras. Nesta República Checa não há nenhum jogador verdadeiramente criativo. Galasek é um trinco limitado e oscilante quando sujeito a pressão. Só nas bolas paradas o canhoto Jankulovski pode criar perigo com as cobranças na direita, entre o desvio de cabeça ou o trajecto directo ao segundo poste.

Se Portugal conseguir fazer pressão alta, com humildade e entrega, não há Petr Cech que valha à mais fraca selecção checa da história recente.

Vencer é uma obrigação? Sim. Mas é também um profundo prazer.

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