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Correio da Manhã

Opinião
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4 de Novembro de 2003 às 00:00
O que mais surpreende no Beira-Mar são os golos marcados: 18, menos seis do que o FC Porto e mais um do que o Sporting. A equipa treinada por António Sousa revela uma fertilidade atacante que não engana: os pontos e o lugar no campeonato são a consequência deste poder de fogo. E a vitória no Estádio da Luz, por muito que custe aos benfiquistas, não surpreende, apenas confirma. Afinal, a segunda equipa mais goleadora da SuperLiga joga com os olhos postos na baliza adversária. Foi assim até em Alvalade, onde o Sporting sofreu um golo – quando já estava a ganhar – e só desempatou em cima do intervalo. O resultado final (3-1) foi lisonjeiro para Fernando Santos: ele não o merecia, caiu-lhe no colo no momento certo. Para o Beira-Mar, a derrota teve, apesar de tudo, um efeito estimulante. A partir daí, ficou conhecida como uma das equipas mais optimistas do campeonato, coisa rara em Portugal.
Pois é: coisa rara. Tão rara que teria mesmo de ser feita com matéria-prima importada. Na Luz, dos 14 jogadores usados por António Sousa dez nasceram noutro futebol. Apreenderam-no como jogo de ataque e ainda hoje guardam essa ideia. Wijnhard e Kinsgley, as melhores notícias desta SuperLiga, nunca serão estrelas ou supercraques, apenas jogam para a frente, sempre para a frente, o que já é bom para qualquer espectador. Eles vão às bolas que valem a pena, mas às outras também; e é nisso que são melhores do que os adversários. Alguém se lembra do Beira-Mar da época passada, ou da anterior, ou ainda da anterior? Pois é, não sobram vestígios dessa mediocridade: este Beira-Mar está altura do seu novo estádio e nem todos se podem vangloriar disso.
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