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Correio da Manhã

Opinião
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30 de Abril de 2005 às 17:00
Como vai acabar esta guerra ninguém sabe. Mas, face às ameaças que andam no ar, Isaltino pode vir a ser expulso do PSD, depois de elaborado o competente processo disciplinar pelo Conselho de Jurisdição Nacional do partido. Expulso ou não, a verdade é que Isaltino tem uma alta probabilidade de voltar a ganhar a Câmara de Oeiras.
Só os que têm memória curta é que esqueceram o que era Oeiras antes e depois de Isaltino. O concelho de Oeiras era pasto de marginais, com habitação clandestina espalhada por todo o concelho, sem nenhuma actividade comercial e cultural. Isaltino transformou radicalmente aquele concelho. Pôs em marcha um projecto de habitação social para realojamento dos moradores em bairros de barracas, ordenou os espaços de construção de moradias, captou o interesse de grandes empresas nacionais e internacionais e criou um parque industrial onde se sediaram importantes unidades de empresas não poluentes, procurou resolver problemas ambientais de alguma gravidade que havia no concelho, desencadeou um programa cultural permanente que atraiu muitas personalidades da vida cultural do País. Foi por estas razões que Isaltino mereceu sempre o apoio da população do concelho, apoio maioritário, e nenhum outro candidato conseguiu, por muito respeitável que fosse, enfrentar com sucesso o dirigente social-democrata.
O êxito de Isaltino foi tal que o PSD o colocou num altar como autarca modelo e foi a sua performance que o veio a habilitar, mais tarde, para o cargo de ministro das Cidades. Correram sempre muitos boatos em redor de Isaltino como julgo que corre em redor de todos os autarcas. Mas é um facto incontroverso que Isaltino tem obra feita, foi sempre um homem diligente e esforçado ao serviço do seu concelho, ganhou a confiança dos seus concidadãos, independentemente da cor partidária de cada um. Torna-se assim compreensível que depois de se ter demitido do Governo, os eleitores do concelho de Oeiras lhe manifestem apoio e incentivo para regressar a vida política e à disputa das próximas eleições autárquicas.
As explicações do PSD e de Marques Mendes para afastar Isaltino são explicações esfarrapadas e contraditórias. Se a razão é, como diz Marques Mendes, o caso das contas na Suíça, ainda em investigação pela Policia Judiciária, é obvio que Isaltino se defende bem ao invocar o princípio da presunção de inocência, que ninguém pode pôr em causa. Se a razão é, como refere o coordenador autárquico do PSD, Dias Loureiro, o propósito de recandidatar todos os presidentes da Câmara (o actual presidente da Câmara de Oeiras é Teresa Jambujo) que tenham cumprido minimamente o seu mandato, é obvia a contradição com Lisboa onde Marques Mendes impôs Carmona Rodrigues e afastou Pedro Santana Lopes. Este processo vai ainda fazer correr muita tinta com toda a gente a testar o critério de Marques Mendes. Fala-se em especial de Gondomar. Marques Mendes vai afastar Valentim Loureiro e impor outro candidato por envolvimento do Major no processo ‘Apito Dourado’, ainda não julgado?
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