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Correio da Manhã

Opinião
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19 de Maio de 2007 às 09:00
Está anunciada para o dia 30 deste mês a primeira greve geral da era Sócrates. Só tem um dinamizador – a CGTP. A UGT não acompanha a Intersindical. Uma grande parte dos sindicatos independentes também não e mesmo estruturas filiadas na mais velha confederação sindical do País torcem o nariz à greve. Ou seja, esta greve geral não vai ser geral. É uma conclusão óbvia que se pode retirar já, a 12 dias dessa manifestação. A outra é a de que o mais provável é que a greve geral não será mais do que uma paralisação da Função Pública, uma movimentação que não tem nada de inédito porque ainda muito recentemente os funcionários públicos vieram para a rua.
No dia 30 vamos ver que sectores, para além do dos funcionários do Estado, alinham nesta aventura que me parece estrategicamente desfasada da realidade do País e não trará benefícios a ninguém, nem mesmo benefícios políticos à CGTP e às forças políticas que a sustentam. Julgo mesmo que a Função Pública (professores, médicos, etc) usada de novo como tropa de choque para evitar que a greve seja um fracasso, fiada na situação privilegiada do vínculo eterno que mantém com o Estado, vai sair desgastada e vai perder credibilidade junto da população portuguesa em geral.
A CGTP aparece nesta greve mais como uma entidade disposta a servir interesses de natureza partidária do que a defender reivindicações dos seus associados. A Função Pública vai consolidar a imagem de núcleo duro de resistência às medidas de modernização do País, como se fosse perceptível qualquer ganho daí adveniente. Esta incapacidade da CGTP e da sua guarda avançada (a Função Pública) em adaptar-se a um País em mudança chega a ser confrangedora. De que serve reivindicar mais salário, mais regalias e manutenção de privilégios se o País não tem condições para garantir esses desejos?
Será que os dirigentes sindicais não percebem que a estratégia mais inteligente é assegurar os direitos existentes e até alargá-los, numa plataforma de negociação permanente, onde o esforço de concertação é a regra do entendimento? Será que as centrais sindicais não constatam que se estão a auto-excluir de um processo de concertação em toda a Europa que se, por um lado, passam pelos caminhos de flexibilização das relações laborais, por outro, asseguram o aumento da protecção social, como em mais nenhum lugar do Mundo? O exemplo da Autoeuropa não é uma boa lição? Sindicatos e patrões entendem-se na base da realidade e daquilo que são os interesses fundamentais dos trabalhadores.
Esta greve pouco geral não é consensual, nem no seio da CGTP onde dirigentes com prestígio e experiência não escondem o seu desconforto. Carvalho da Silva, pelo que vou apreendendo, está de saída. Se sair é uma grande perda para o movimento sindical. Esta greve vai ser responsável por esse afastamento.
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