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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Octávio Ribeiro

Uma guerra sem sentido

O novo Orçamento do Estado dita uma míngua sobre o comum dos cidadãos que só uma guerra justifica. Neste esforço bélico, o próprio Estado encolhe como se toda a nossa energia se concentrasse no exterior. Como se, tomados de um cego fanatismo, estivéssemos a despedir-nos dos nossos jovens em paradas marciais para uma frente qualquer. Mas não. Estamos apenas a despedir -nos dos sonhos dos nossos jovens. Estamos apenas a ditar-lhes um presente sem esperança. E aos seus pais e aos seus avós.

Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 3 de Novembro de 2012 às 01:00

Mas que guerra é esta? Por que somos fustigados desta forma tão severa? Estamos a fazer sacrifícios para levantar a cabeça e vermos a luz de um País novo, mais forte, justo e capaz? Ninguém dá resposta.

Esta guerra sádica ditada pela dívida e pelo défice pode ser vencida pelas empresas, pelas famílias, pelos cidadãos? Parece difícil que a sociedade mantenha o seu cimento fundacional quando muitas centenas de milhares de pessoas, com salários abaixo dos mil euros, pagarão o facto de ainda terem emprego com mais 150 euros mensais levados por severos ciclones fiscais. Nesta guerra, como em qualquer outra, não há força especial que resista a ordens e contra-ordens de um punhado de comandantes descrentes. Ora é o IVA e os subsídios, ora a TSU, ora o IRS. Agora vamos às gorduras do Estado. Mais quatro mil milhões cortados.

E aqui chegados, aquilo que poderia ser uma carga enérgica e épica sobre alguns dos principais males do Estado já não tem crentes entre as pobres tropas.

Portugal declarou guerra a si mesmo. A Nação está em debandada para a emigração, para a economia paralela, para a descrença.

Sem renegociação da dívida soberana, sem fortes incentivos ao crescimento, sem confiança no Governo, o País há-de encontrar-se exangue no final de Março. E com a Democracia em perigo.

 

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