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Francisco Moita Flores

Uma nova televisão

Escrevo há anos neste jornal. Nunca me foi pedido que escrevesse uma ladainha, nunca fui condicionado em qualquer das minhas opiniões, mesmo aquelas que sabia desconfortáveis.

Francisco Moita Flores 17 de Março de 2013 às 01:00

Hoje, embora não seja analista de televisão, vou escrever por vontade própria sobre o CM e a sua televisão. Aquilo que penso. Aquilo que sinto. O surgimento das televisões privadas marcou o início de uma nova idade nas formas de comunicar e de conhecer diferentes abordagens dos problemas e do mundo. A expansão da TV por cabo democratizou a escolha, a capacidade de cada telespectador, em qualquer hora do dia e da noite, optar por saber notícias, ver ficção, escutar um concerto, assistir a um desfile de moda ou uma reportagem sobre a vida selvagem.

A TV por cabo destruiu a ideia de horário, protocolo decisivo para a mobilização de grandes audiências. Não admira, pois, que os chamados canais generalistas, ano após ano, vão perdendo telespectadores em favor das dezenas de emissões feitas à medida do gosto de cada consumidor de TV.

Quase em simultâneo, a internet transformou em notícia vista aquilo que, até então, era mera notícia escrita. Os jornais juntaram ao online noticioso a confirmação da informação com a sua visibilidade em impressão digital. É uma revolução que estamos a viver sem nos apercebermos de que, em termos de comunicação e informação, estamos a ser protagonistas de um tempo televisivo que marca, pela velocidade e quantidade de imagens, a vida política, a vida económica, a nossa relação com os outros e com o mundo, que modifica padrões de conhecimento e perceção da realidade, anula a ideia de distância, recria o mundo virtual e provoca a convicção pessoal de que o nosso mundo, a nossa existência, os limites e as necessidades são essa imagem, percebemo-la por imagens, admitindo, até, que vivemos em função dessas imagens.

Hoje, arranca um novo canal por cabo. A CMTV (posição 8 do MEO). Assisti à apresentação e, por aquilo que nos foi mostrado, há no projeto uma intenção de síntese da maior parte dos interesses televisivos dispersos por vários canais. Embora a bifana seja uma estrutura informativa poderosa, o pão que a envolve cobre uma variada área de interesses, da ficção ao documentário, que pode transformar a receita num prego de excelência. Um desafio que o leitor não pode perder.

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