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Correio da Manhã

Opinião
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Carlos Garcia

Uma política de dois pesos

O pessoal da PJ faz parte dos mais de 400 mil trabalhadores em funções públicas que vão sofrer um corte salarial, um acto que, além de estigmatizante (como se fossem estes trabalhadores os principais culpados pela situação do país), é qualificável como um autêntico "assalto", perpetrado em nome de um falso "interesse nacional".

Carlos Garcia 5 de Dezembro de 2010 às 00:30

Este governo mostrou mais uma vez um dom especial para as trapalhadas jurídicas (que os tribunais, neste caso, vão certamente anular), misturadas com indignidade política e moral. E os partidos que no essencial o secundaram mostraram ser tão bolorentos em carácter e consciência moral. É curioso como o princípio da segurança e da certeza jurídica tem dois pesos: para os trabalhadores por conta de outrem simplesmente não se aplica, mas para os accionistas das empresas tuteladas pelo Estado não deixa de ser um princípio incontornável.

E fora isso lá tinha de vir o regime de excepção para parentes e amigos pessoais ou do partido: para uns, o corte é para ser e para sempre. Para outros, o corte era para ser, mas já não é. O corte salarial vai ter, para já, uma consequência na PJ, inimaginável até há bem pouco tempo: para honrar os compromissos financeiros assumidos, muitos funcionários já anunciaram que vão procurar uma segunda actividade remunerada.

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