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Correio da Manhã

Opinião
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28 de Agosto de 2004 às 00:00
Dispôs-se a prosseguir a sua preparação do outro lado do oceano, com o objectivo de continuar a competir pelo seu país. Mas os dirigentes federativos de Cuba reprovaram a sua decisão e colocaram-no nos campeonatos secundários.
Joan resistiu enquanto pôde, mas o seu afastamento deliberado dos Jogos Olímpicos de Sydney tornaram a situação insustentável. Revoltado, fez as malas e partiu, de vez, para os braços do seu amor, que o ajudaria a naturalizar-se espanhol. Só que a sorte voltou a esquecer-se de Joan: os seus documentos perderam-se e com eles desaparecia o seu sonho de ser atleta profissional.
Para sobreviver teve de ir dar aulas de ginástica a crianças, que ignoravam ter um professor que voava 8,39 metros. Até Junho de 2004, quando a sorte, finalmente, lhe bateu à porta com os seus papéis.
A história vem no ‘El Mundo’ de ontem, mas sem a ligação a Francis Obikwelu: com ela o caso isolado deixa de o ser, o que justifica reflexão. Tal como o trolha nigeriano teve, em Portugal, quem lhe desse a oportunidade de mostrar as suas qualidades de velocista, também em Espanha estavam atentos àquele que, a naturalizar-se, passaria a ser o melhor saltador espanhol da actualidade.
O processo burocrático avançou ao ritmo de uma corrida para a caixa de areia e quando foi feita a chamada para Atenas, já Joan Martinez equipava de vermelho e amarelo. No tartan, Joan imitou Obikwelu e agradeceu com uma medalha, no seu caso de bronze.
Obikwelu e Martinez impõem uma pergunta: quantos atletas de eleição ainda carregam baldes de massa ou ajudam crianças a dar cambalhotas em clubes de bairro?
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