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Correio da Manhã

Opinião
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Francisco Moita Flores

Urgências

A crise que esmaga as populações está aí pujante e diabólica e começam a surgir os sinais de inquietação.

Francisco Moita Flores 26 de Fevereiro de 2007 às 09:00
O Governo resistiu ao protesto contra o encerramento das maternidades, mas já não teve fôlego para aguentar a onda de indignação que provocou a rebelião de várias vilas e cidades. Fez bem em ceder. Aquilo que se está a pedir aos portugueses é já um esforço tão grande, que tem motivado alguns protestos mas, no essencial, tem merecido a compreensão do País, que com mais esta medida, mal explicada possivelmente porque não tem explicação, fez saltar para a rua milhares de pessoas. Foi inteligente Correia de Campos ao recuar. A crise que esmaga as populações está aí pujante e diabólica e começam a surgir os sinais de inquietação. O desemprego é avassalador, a ruína e falência das empresas é galopante, os salários não acompanham a loucura dos preços, que o impacto do preço dos combustíveis tem acelerado, a perseguição fiscal perdeu as estribeiras, o primeiro emprego para jovens licenciados é cada vez mais uma utopia, ou um pesadelo, e a emigração aumentou, os serviços de assistência social são cada vez mais carentes, a escola, no seu conjunto, vive uma das maiores crises da sua história.
O Governo tem respondido com algumas acções, muita propaganda e repetidas hesitações. A Ota, aeroporto anunciado com grande pompa e circunstância e que poderia ser uma alavanca para reanimar o sector de construção, marca passo. Por cada notícia garantindo que vai em frente sai outra a informar que são precisos mais estudos. A decisão de pagamento da portagem das Scut, anunciada como a reposição da justiça, é adiada e a empresa Estradas de Portugal, sufocada por indemnizações e subsídios, praticamente parou. O TGV ainda não é uma certeza em toda a extensão planeada, os tribunais continuam atulhados de processos, as autarquias arruinadas e não se ouvem medidas que, por um lado, emagreçam o peso da burocracia do Estado mas que, por outro, incrementem o investimento, a expectativa de um futuro menos inquieto.
São muitas urgências que hoje se colocam ao Governo. Não basta uma Comunicação Social em grande medida domesticada e servil, uma estratégia de propaganda meticulosamente trabalhada. A gravidade da situação é cada vez maior e pesem os louvores, muitos deles porque não se vê alternativa à vista, é urgente a tomada de decisões que garantam que os sacrifícios de hoje têm uma recompensa amanhã. Não é possível pedir tanto a tantos em troca de coisa nenhuma. É que a tolerância tem limites e aquilo que agora se passou com as Urgências hospitalares é a prova provada de que não é possível fazer o que se quer. Nem as maiorias absolutas salvam um governo quando a injustiça emerge.
Estamos na véspera de um novo Quadro de Apoio da União Europeia. É o último e, possivelmente, a última oportunidade de Portugal poder arrancar definitivamente para patamares de desenvolvimento de maior competitividade. Tem de ser agora ou, então, não existem indignações que nos valham. Já não resta muito tempo para a propaganda e para o tacticismo político. Para a mediocridade institucionalizada e para a ignorância engravatada. Começa a ser urgente saber que existe um futuro de confiança para o País. Afinal de contas, para todos nós.
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