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Opinião
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Rui Pereira

Vai haver tumultos?

Ninguém pode garantir que vai haver, num futuro mais ou menos próximo, tumultos em Portugal.<br/>

Rui Pereira 6 de Outubro de 2011 às 01:00

Ninguém pode garantir que vai haver, num futuro mais ou menos próximo, tumultos em Portugal. A crise económica, o aumento do desemprego, a diminuição das prestações sociais, o congelamento dos salários, o aumento dos impostos e as redes sociais potenciam a contestação, mas não conduzem necessariamente a tumultos. A comparação com casos recentes de outros países é, de todo o modo, um caminho de reflexão adequado.

No Reino Unido, Mark Duggan, de 29 anos, de ascendência africana, dealer e membro de um gang, foi morto a tiro numa operação policial. Durante quase uma semana, multidões em fúria partiram montras, saquearam estabelecimentos, incendiaram automóveis e apedrejaram polícias. Cinco mortos, dezenas de feridos, mais de três mil detidos e centenas de milhões de euros de despesas e prejuízos foram o resultado destes tumultos devastadores.

Em Portugal já houve ‘rastilhos’ idênticos. Elson Sanches (‘Kuku’), Nuno Manaças (‘McSnake’) e Toninho Tchibone morreram no decurso de acções policiais, em 2009 e 2010. Na Quinta da Fonte e na Bela Vista, houve confrontos violentos, de cunho étnico, com armas de fogo. A firmeza da resposta das forças de segurança e o reforço da segurança comunitária, que envolveu a aposta nos contratos locais de segurança, ajudou a evitar males maiores.

Na Grécia – onde também já funcionou como rastilho, em 2008, a morte de um adolescente –, sucedem-se manifestações violentas. Neste caso, o racismo e a cultura de gang estão ausentes e as duríssimas medidas de austeridade impostas pela troika são apontadas, unanimemente, como causa da agitação social. Os sentimentos de desespero, injustiça e revolta contra os políticos e os banqueiros são comuns entre os manifestantes.

Estando também submetidos à disciplina da troika, deveremos recear idênticas manifestações? O que sabemos sobre o movimento sindical não favorece essa conclusão. Os sindicatos têm organizado, em regra, manifestações pacíficas e ordeiras, em que nem mesmo os excessos verbais são muito frequentes. E os provocadores, que espreitam a sua oportunidade para praticar actos de vandalismo e pilhagem, têm sido, até hoje, prontamente isolados.

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