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Correio da Manhã

Opinião
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19 de Junho de 2010 às 00:30

Umas vezes parece um líder novo com uma mensagem nova e uma coragem firme, outras aparece igual aos seus antecessores, a praticar uma política oportunista, sem firmeza e sem caminho. Passos Coelho assegurou que, se a Comissão de Inquérito provasse que o primeiro--ministro tinha mesmo mentido, o PSD apresentaria uma moção de censura no Parlamento.

Pois bem, a referida comissão, a fazer lembrar os tribunais plenários do fascismo pela sua máxima "Os fins justificam os meios", não provou nada contra o primeiro-ministro. E você, meu caro Pedro Passos Coelho, perante essa evidência, só tinha que mandar votar contra o relatório elaborado por João Semedo. Mas não. Faltou--lhe a coragem, a frontalidade e o sentido de justiça em democracia para tomar tal decisão. Pois então, quais são as conclusões do ridículo relatório? "O Primeiro--ministro não mentiu, mas também não falou verdade", e por isso, sem mentiras nem verdades, não há moção de censura, e no meio desta nojenta salganhada sempre há saída para o PSD votar envergonhadamente a favor de João Semedo, do BE, e sem a responsabilidade da moção de censura. João Semedo, o relator, eliminou, entre outras coisas, os depoimentos de Zeinal Bava e de Henrique Granadeiro e cozinhou um relatório que é uma fraude. Uma no cravo, outra na ferradura. No ADN da maioria dos deputados da comissão de inquérito, a vida é feita assim, uma no cravo, outra na ferradura, não é carne nem é peixe, não é verdadeiro nem é falso, nem sim, nem não, talvez ‘nim’.

A maioria desses deputados são feitos desta massa gelatinosa, sem coluna vertebral, cheiram a fruta bichada, moldam-se ao sistema. Admitamos, em tese, que Sócrates tinha conhecimento e interferiu no negócio PT/TVI. Ninguém provou isso, nem nada. E enquanto vivermos num Estado de Direito, quem acusa e não prova nada não pode pedir a condenação do acusado.

Meu caro Pedro Passos Coelho, você pactua com tudo isto e votou um relatório vergonhoso, manipulado, nojento, que teve a ousadia de considerar uns testemunhos e anular outros, que tirou ilações a partir de convicções, etc. Só encontrei disto nos tribunais plenários. Onde está a sua força e a sua integridade, Pedro Passos Coelho? Vale tudo?

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