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Correio da Manhã

Opinião
9
5 de Outubro de 2008 às 00:30

Só ontem saiu um estudo realizado no Mundial de 2004 para verificar se o número de ataques cardíacos na grande Munique aumentava nos dias de jogos da Alemanha. Abarca diagnósticos de enfarto do miocárdio, angina, arritmia ou paragem cardíaca. Tais ocorrências foram comparadas com as dos mesmos meses de 2003 e de 2005, que antecederam e sucederam o evento.

ó ontem saiu um estudo realizado no Mundial de 2004 para verificar se o número de ataques cardíacos na grande Munique aumentava nos dias de jogos da Alemanha. Abarca diagnósticos de enfarto do miocárdio, angina, arritmia ou paragem cardíaca. Tais ocorrências foram comparadas com as dos mesmos meses de 2003 e de 2005, que antecederam e sucederam o evento.

Durante o Mundial, 4279 pessoas chegaram às Urgências com aqueles sintomas. Nos dias em que jogaram apenas selecções estrangeiras, o atendimento foi igual ao de antes e depois do torneio. Sempre que a Alemanha actuou, os distúrbios cardiovasculares cresceram em média 2,66 vezes (3,26 vezes a mais nos homens, 1,82 nas mulheres). Os mentecaptos hooligans têm razão: o futebol é uma questão de vida ou de morte. Como tudo na vida, a paixão dá mais graça à coisa. Porém, e reciclando um cliché futebolístico, é preciso torcer tanto com o coração como com a cabeça. É o que tentam fazer os programas desportivos.

O ‘Domingo Desportivo’, da RTP 1, tem um ás na manga: António Tadeia, o melhor analista da bola em Portugal – cujas observações tácticas nunca parecem bizantinas ou estapafúrdias como as dos seus pares. Pena que seja tão carrancudo. Ó Tó, dá lá uma risadinha! Ao lado dele, as fífias de João Pinto: "Achei a primeira parte muito equilibrada, tanto para o Benfica como para o Sporting." Hã? Na segunda-feira há ‘O Dia Seguinte’ (SIC Notícias), ‘Trio de Ataque’ (RTPN) e ‘Resultado Final’ (Sport TV). Gosto do modelo do segundo, que é uma esgrima entre adeptos dos três grandes. Educados, não se insultam (a não ser com epigramas) nem berram (salvo com os olhos).

Rui Moreira é arguto, António Pedro de Vasconcelos cultivado e Rui Oliveira e Costa baço mas potável. Pena que o moderador já não seja Carlos Daniel, que andava mais ubíquo do que o Altíssimo. ‘O Dia Seguinte’ tem mais malagueta, pois são todos macacos velhos (eles preferiam raposas) do meio: Fernando Seara, Dias Ferreira e Guilherme Aguiar. A debilidade do programa reside precisamente no seu ADN institucional: parecem porta-vozes dos clubes ligados à ficha.

No ‘Resultado Final’, da Sport TV, emperram tanto o moderador (insípido) quanto os comentadores Pacheco e Bilrro (triviais e desconexos). Mas brilha o cirurgião Eduardo Barroso, cuja língua é um bisturi. Inesquecível o furibundo raspanete que passou ao seu próprio anfitrião. Se seguissem o seu exemplo, a TV (não só desportiva) seria mais interessante – e o futebol menos bronco.

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