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Correio da Manhã

Opinião
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8 de Fevereiro de 2004 às 00:00
Depois de uma semana ecuménica, pontuada pelo ridículo minuto de silêncio na Assembleia da República, o futebol em Portugal voltou a ser aquilo que sempre foi (nos últimos 20 anos), é e será (enquanto Pinto da Costa, Pimenta Machado e comp.ª Lda. andarem por aqui): um mundo de fanáticos da vitória a qualquer preço. Nele não há limites nem sentidos proibidos – e muito menos chega a hora da sensatez no negócio. Repare-se na loucura presente: a SAD do FC Porto corta relações com a SAD do Sporting poucos meses após ambas terem acertado as transferências contabilísticas de Ricardo Fernandes e Clayton para maquilharem as contas de exercícios eternamente negativos (coisa quase tão lógica quanto a Galp cortar relações com a EDP depois de um encontro entre os respectivos grupos desportivos); Dias da Cunha, que foi a Sevilha de cachecol azul e branco ao pescoço, e Filipe Vieira, antiga visita de casa de Pinto da Costa, abraçam--se e posam juntos para inimigo ver; Pimenta desculpa os adeptos que sempre atiça. Até dá para Valentim Loureiro, mais resguardado, ter hoje a pose de um senador junto de tão ilustres protagonistas. O problema, bem vistas as coisas, não é, apenas, os mais antigos serem aquilo que se sabe. A questão está em que nunca faltam os candidatos a substituí-los…
Já se percebeu que o PSD apoia António Vitorino para presidente da Comissão Europeia, mas dificilmente o indicará para continuar comissário. Ou seja, a competência e o prestígio aceitam-se – que remédio! – apenas dentro dos limites da política dos interesses. A coisa é muito nossa. Mas, para além de sina, é uma pena.
Continuam as burlas na área da Saúde e Segurança Social. Bastam umas vinhetas, uns papéis e uns carimbos e os serviços pagam. Farmacêuticos e médicos pouco escrupulosos têm aqui um permanente desafio ao seu carácter e honestidade e nem sempre são fortes para resistir. Convenhamos: a coisa dificilmente mudará enquanto os cuidados médicos forem o último reduto da utopia e se pensar que o Estado deve cuidar da saúde de todos, sejam pobres ou ricos. É uma mentira que o orçamento paga e os corruptos aproveitam. Até quando?
O‘Expresso’ anunciou ontem, em notícia na primeira página, que vai conceder espaço aos leitores para “um grande debate sobre a questão ibérica” – ou seja, quer saber se vale ou não a pena Portugal juntar-se a Espanha e criar a “Ibéria” de José Manuel de Mello. O empresário poderá dizer um dia que estava a ironizar. O ‘Expresso’ está a falar a sério. Sério que está!
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