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Correio da Manhã

Opinião
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29 de Abril de 2011 às 00:30

O jovem era eu e hoje veio--me à memória essa cena quando soube da tragédia que vitimou seis portugueses, em local que não deve distar muito daquele em que eu havia sido testemunha distante.

As estradas de ontem e de hoje são muito diferentes. As viaturas dos nossos compatriotas bastante mais seguras. A qualidade da sua condução é muito superior. Por isso, morrem muito menos portugueses nas estradas de França. Mas as mortes dos que agora desaparecem são tão definitivas como as dos milhares que, ao longo de décadas, se espalharam por aquela estrada.

A emigração, como destino trágico de aventura, transporta consigo elementos de risco permanente. A saudade que os traz e leva, entre o local onde trabalham ou onde passaram a residir e as famílias deixadas longe, acaba por potenciar esse risco. Os nossos mortos de ontem, um grupo onde se combinam várias gerações, acabam por reflectir o preço de vidas que tiveram de se fazer fora do País. Essa acaba por ser a tragédia da Pátria da saudade que Portugal continua a ser.

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