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Correio da Manhã

Opinião
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28 de Junho de 2006 às 00:00
Diante da ingénua e limitada selecção do Gana, não foi diferente. Apesar do golo-relâmpago de Ronaldo (aproveitando belo passe em profundidade de Kaká), a selecção não deslanchou, nem conseguiu empolgar. As vaias já surgiam quando Ricardinho fez lindo passe para Zé Roberto e este selou o triunfo do futebol de resultados de Parreira — indiscutível em seu sucesso prático até agora, mas totalmente divorciado da arte com que os craques brasileiros encantaram o Mundo.
DIDA E LÚCIO SE DESTACAM
Dois jogadores de defesa encheram os olhos: Dida e Lúcio. O goleiro fez, pelo menos, duas defesas dificílimas: a primeira numa cabeçada de Mensah, à queima-roupa, na etapa inicial, e a outra, no segundo tempo, num chute cruzado de Asamoah, que espalmou e, em seguida, abafou, nos pés de Amoah. O zagueiro, por sua vez, voltou a jogar sem cometer uma falta sequer, embora esbanjasse raça e disposição. Ganhou todas as divididas. Juan, seu companheiro, também teria sido perfeito, não fosse uma falha, na lateral, ao final do primeiro tempo. Seu saldo também foi positivo.
LATERAIS CONTINUAM A SER PROBLEMA
A volta dos veteranos Cafú e Roberto Carlos praticamente tirou do Brasil as jogadas pelas pontas — que sobraram contra o Japão. Cafú ainda participou no lance do segundo golo e em algumas estocadas, no final do segundo tempo (quando perdeu golo feito, por excesso de preciosismo). Roberto Carlos foi peça completamente nula. Foi apenas duas vezes à frente: no primeiro tempo isolou uma bola nas nuvens e, no segundo, cara a cara com o goleiro, chutou em cima dele. Até na defesa foi improdutivo, levando dribles dos limitados atacantes ganeses.
O PIOR JOGO DE RONALDINHO
Melhor jogador do mundo e maior esperança do Brasil nesta Copa, Ronaldinho Gaúcho foi um dos mais apagados na vitória sobre o Gana. Errou tudo que tentou, foi dominado pelos marcadores e não deu praticamente nenhum chute a golo — excepção feita a uma falta cobrada para fora. O seu único passe digno de registo foi no segundo tempo, quando lançou Roberto Carlos na área. O lateral chutou em cima do goleiro. Nem mesmo quando Juninho entrou e passou a atuar mais avançado, Ronaldinho conseguiu brilhar, num jogo que, para ele, merece ser esquecido.
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