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Correio da Manhã

Opinião
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10 de Junho de 2009 às 09:00

Se há coisa que ficou praticamente certa no domingo à noite é que em Outubro nem o PS repetirá a maioria absoluta, nem o PSD conquistará uma. Assim, e para efeitos do governo do país, temos de passar a pensar em bloco. A ideia de estabilidade solitária será substituída pela ideia de coligação, de trabalho de grupo, de bloco. Contudo, desengane-se quem pensa que isso significa, automaticamente, a chegada do Bloco de Esquerda ao governo, aliado ao PS. Nada disso. O que os surpreendentes resultados de domingo revelam é que existem várias possibilidades, vários blocos viáveis. Na verdade, Portugal passou a ser um país fértil em blocos. Senão vejamos:

– Bloco à Direita: de repente, numa milagrosa noite, o PSD e o CDS-PP juntos voltam a ser uma alternativa de governo! Têm cerca de 40 por cento dos votos, e não estão muito longe de conseguir uma maioria absoluta. Com esforço e dedicação de todos, talvez pudessem reeditar uma coligação com fortes possibilidades de vitória. Ferreira Leite e Portas deviam pensar numa AD para Outubro. Têm como aliados o método de Hondt, a crescente fragmentação das esquerdas e o presidente Cavaco. É claro que Portas pode ainda sonhar com um governo seu e do PS, mas é cada vez mais um sonho antinatural.

– Bloco à Esquerda: se apesar de tudo em Outubro o PS voltar a ser o partido mais votado, só conseguirá maiorias absolutas juntando-se ao PCP ou ao Bloco de Esquerda ou aos dois ao mesmo tempo. Embora difícil, pois a malta de esquerda não está habituada a juntar-se no poder, é uma hipótese possível, em especial se Sócrates abandonar a liderança do PS. Certamente que Manuel Alegre e Mário Soares saberiam apadrinhar uma solução destas, obrigando a rapaziada mais no-va a entender-se para não deixar fugir o poder para a direita.

– Bloco ao Centro: embora improvável, continua uma solução possível se o PS ficar à frente, mas sem Sócrates a liderá-lo. E até ganhou a partir de domingo uma nova possibilidade, que é o bloco central invertido, liderado pelo PSD e não pelo PS. Seria uma repetição da situação alemã: Schroeder perdeu as eleições, ganhou Merkel, e o partido de Schroeder aliou-se a Merkel a seguir. Por cá, o PS passaria para segunda força, mas mantinha-se no governo, que teria Ferreira Leite a liderá-lo. Seria divertido, e teria certamente o apoio entusiástico dos interesses económicos instalados.

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