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Correio da Manhã

Opinião
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1 de Abril de 2013 às 01:00

Como dizia um amigo meu, "a Política voltou"! José Sócrates trouxe-a, com estrondo, convicção e acutilância.

Até agora, estávamos envolvidos num debate de números, dependências e decibéis. Sócrates colocou-nos noutro patamar.

Colocou Cavaco no patamar de baixo, obrigando-o ou a engolir em silêncio, ou a posicionar-se onde um Presidente da República não deve.

Suspeito que, nos próximos tempos, de Belém não vai sair mais do que um prudente silêncio.

Colocou Seguro na sua dependência, pois mostrou-lhe como se faz oposição – mesmo sem ética –, ficando este perante um dilema: ou segue o Engº Pinto de Sousa, nele recriando a referência socialista, ou o ignora, e inicia--se um período de contraste que lhe será desfavorável.

Nunca mais Seguro ficará seguro de si próprio. A sombra que o vai perseguir é densa e permanente. Sócrates vai ignorá-lo, mas Seguro não o pode fazer face a Sócrates.

Colocou ainda o Governo, e particularmente Passos Coelho, numa obrigação de desmentir a "narrativa" do antigo líder socialista. A partir de agora, Pedro Passos Coelho tem de falar para Sócrates e para Seguro respondendo a questões diferentes vindas de ambos.

Colocou-o também na obrigação de fazer política, aquilo que desde o primeiro dia da sua governação tinha sido deliberadamente ignorado.

Sócrates colocou o debate político no passado que escolheu, e não no presente que temos de encarar, ou no futuro que temos de organizar.

Por último, colocou-se a si próprio no mesmo patamar de personalidade e desempenho que exibiu no passado.

Nunca fez erros, tem a verdade total, distorce a realidade e os números, conta as histórias que escolhe, mas não todas as que viveu, enfim, Sócrates não mudou. Perdão, mudou num detalhe, a utilização permanente da expressão "narrativa".

Percebe-se assim o fim último do curso de filosofia em Paris.

Sócrates aprendeu pelo menos uma palavra e gosta dela. Já é bom.

Pena é que a sua "narrativa" atual não seja completa. O que lhe falta mede a dimensão moral de quem a usa.

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