Muitos de nós ainda lembram como era o Mundo antes de setembro de 2001 e de como ele mudou após os atentados terroristas do dia 11 em Nova Iorque e na Virgínia.
Comparado com essa mudança inesperada no início do século, as alterações às nossas vidas que agora se vislumbram, turbinadas pela pandemia do coronavírus, são quase irrelevantes. O que aí vem é, em matéria de direitos e liberdades individuais, um tsunami securitário incalculável, perigoso e, portanto, inaceitável.
Como o tempo, nada do que envolve tecnologia volta atrás e é aí que está o risco. À custa da necessidade de identificar para travar cadeias de contágio da doença ou de controlar, por exemplo, entradas em praias através de semáforos virtuais, a paranoia do "rastreável" está a levar os Estados a entregar às tecnológicas, como a Google, a Apple, a Microsoft ou as suas sombrias subsidiárias, um potencial de dados que transfere informação soberana para empresas cujo controlo, já se sabe, foge aos governos e não raramente à Justiça.
Investir tudo na tecnologia e quase nada no ser humano é alimentar empresas que são bichos da madeira nas traves da democracia.
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