Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
6

Ativar o Sócrates

Governo de Passos foi o único a manter a espinha direita perante Salgado.
Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 7 de Abril de 2021 às 00:32

Ler ou ouvir deputados do PS sobre a célebre reunião de Carlos Moedas com Ricardo Salgado, em vésperas da queda do Grupo Espírito Santo (GES), dá-nos o retrato da hipocrisia ilimitada que marca a vida política de hoje.

Salgado disse, em dado momento, que seria preciso ‘ativar o Moedas’, como se isso fosse a prova da cumplicidade deste político com o clã Espírito Santo. Moedas integrava o governo de Pedro Passos Coelho que foi o único a manter a espinha direita perante Salgado e o GES em mais de vinte anos.

Passos recusou-se a ser tratado como um funcionário do banqueiro, que era mais ou menos a forma como ele olhava para os políticos. Pelo contrário, Ricardo Salgado passou a vida a ativar outros políticos de diversas proveniências mas, muito em particular, do PS.

Como Sócrates, o expoente máximo da política de activação de Salgado, ou como Manuel Pinho, esse sim um empregado do banqueiro, chorudamente remunerado quando estava no governo, e que foi um verdadeiro dínamo de activação de dezenas de decisões favoráveis ao GES/BES.

Uma dupla de que o PS não quer ouvir nem falar, quanto mais convocar para apurar a verdade numa qualquer comissão de inquérito.

Ver comentários