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Correio da Manhã

Opinião
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O juiz Rosa rasga provas

Urge prever o crime de enriquecimento injustificado e a colaboração premiada.
Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 10 de Abril de 2021 às 00:33

Para melhor decidir, os juízes valorizam até a linguagem não verbal de quem está perante o tribunal. Perante o País, o único momento em que Ivo Rosa revelou desconforto, na longa leitura de ontem, foi exatamente quando deixou sobre Sócrates os seis crimes por que irá ser julgado.

Em todo o tempo que zurziu no procurador, na investigação, no seu colega Carlos Alexandre, o juiz Rosa esteve imperial. Foi rasgando indício atrás de indício, até de corrupção nada sobrar. Valorou depoimentos angélicos dos que têm vantagem em estar conluiados, já quando Bataglia confessa ter transferido 12 milhões para Santos Silva, por ordem de Salgado, o juiz Rosa rasga, pois o depoimento pode estar condicionado.

Agora, seguem-se vários meses até o Ministério Público recorrer para a Relação, e outros tantos para a Relação decidir.

O juiz Rosa rasga tudo o que são provas indiretas. Mas só rasga porque pode. A rede da Justiça no combate à corrupção é um buraco. Urge prever o crime de enriquecimento injustificado e, mais importante, a colaboração premiada.

Que obscuros interesses travam estes avanços?

Ivo Rosa País Sócrates Relação questões sociais
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