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Correio da Manhã

Opinião
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Um homem sério

Jorge Sampaio nasceu em pleno Estado Novo no seio de uma família privilegiada, mas sempre teve uma consciência crítica.
Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 11 de Setembro de 2021 às 00:31
Jorge Sampaio foi um homem e um político sério, um exemplo de ética republicana. Viveu durante décadas na mesma casa, não fez fortuna, apesar de poder ter sido, se quisesse, um milionário advogado de negócios. Homem de causas preferiu o serviço público.

Foi líder do Partido Socialista no auge do cavaquismo, presidente da Câmara de Lisboa numa inédita coligação com o PCP, e Presidente da República reeleito. Homem emotivo e com a lágrima fácil, teve em 2004 o ano mais difícil da sua magistratura, quando Durão Barroso saiu do Governo para Bruxelas. Deu posse ao substituto indicado pelo PSD, Pedro Santana Lopes, mas meses depois aplica a ‘bomba atómica’, porque entendeu que "a estabilidade democrática estava corroída" e dissolve a Assembleia da República.

Filho de um pioneiro da promoção da saúde pública em Portugal, Jorge Sampaio nasceu em pleno Estado Novo no seio de uma família privilegiada, mas sempre teve uma consciência crítica e foi militante contra o regime. Figura emblemática do protesto estudantil de 1962, sempre se destacou na oposição.

Advogado de sucesso defendeu vítimas da perseguição política. No PREC é uma das figuras do MES (Movimento da Esquerda Socialista). Mais tarde adere ao PS. Jorge Sampaio merece também ser recordado por ser uma pessoa que não tinha medo de ser normal e assumia as suas paixões. Aficionado das touradas, também gostava de futebol e sofria como bom adepto do Sporting.
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