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Correio da Manhã

Opinião
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Lisboa e a paisagem

O Porto ainda aspirava a ter um papel relevante, mas cada vez mais a macrocefalia da capital seca recursos públicos.
Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 16 de Setembro de 2021 às 00:33
A excessiva concentração da máquina do Estado em Lisboa é um dos entraves ao desenvolvimento equilibrado no conjunto do território nacional.

Houve um tempo em que o Porto ainda aspirava a ter um papel relevante, mas cada vez mais a macrocefalia da capital seca recursos públicos para outras regiões.

O veto do Tribunal Constitucional a uma eventual mudança para Coimbra, cidade que durante séculos teve o monopólio de produção do saber jurídico em Portugal, revela que o vírus do centralismo lisboeta é muito forte.

Um parecer deste douto órgão chegou a considerar "grave desprestígio" a transferência. Numa nota posterior foi adiantado que o desprestígio não era em relação à cidade que ainda é por muitos chamada "dos doutores", mas relativa à diferenciação face a outros órgãos de soberania.

Na Europa abundam exemplos de órgão públicos em sedes diferentes. O caso mais notório é a Alemanha, uma república federal, que tem o tribunal constitucional em Karlsruhe, o banco central em Frankfurt, e muitas outras agências em cidades longe de Berlim. ´

É obrigação do Estado repartir recursos públicos por todo o território. Devia ser inconstitucional que um país quase milenar esquecesse as suas raízes e concentrasse tudo na capital, sendo o resto paisagem cada vez mais abandonada.
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