Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
2

Fugir à vacina

O melhor talvez fosse mesmo ouvir a criança e respeitar a sua vontade.
Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 17 de Setembro de 2021 às 00:33
O episódio da mãe que esconde a filha para fugir à vacina tem um limite jurídico óbvio: não sendo a vacina obrigatória, dificilmente o tribunal determinará a obrigação de apresentação da menor num centro de vacinação.

A questão, porém, não se esgota aí. Desde logo, ela não parece integrar-se numa lógica de puro negacionismo, porquanto as outras filhas do casal foram vacinadas, o que é um bom sinal. Superado este patamar, onde raramente prima a inteligência e a racionalidade, talvez fosse preferível procurar o caminho do diálogo e do bom senso do que esperar uma sentença. É que se o pai não pode forçar a filha a ser vacinada, também a mãe não pode escondê-la do progenitor.

Do tribunal espera-se, portanto, que seja capaz de iluminar o caminho destes pais, através da pedagogia e da procura de um consentimento informado ou, pelo contrário, de uma recusa em que todos estejam conscientes das suas próprias responsabilidades.

O melhor talvez fosse mesmo ouvir a criança, mediar um diálogo com ela através de profissionais e respeitar a sua vontade.
Ver comentários