Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião

Esquerda salva OE

Com um Estado cada vez mais gastador, a economia e os contribuintes estão condenados a pagar cada vez maiores tributos.
Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 12 de Outubro de 2021 às 00:31
Pode até parecer uma ironia da História, mas a 25 de novembro a Esquerda vai salvar o Governo do PS na votação do Orçamento do Estado (OE).

Até lá vai seguir-se um período de duras negociações, do habitual regateio político, mas o orçamento de João Leão acabará por ser aprovado. PCP e Bloco podem tentar esticar a corda e um deles até pode votar contra, mas o Bloco não ganhou nada quando no ano passado assumiu o divórcio face ao Governo.

As eleições autárquicas indiciam que quer PCP quer Bloco estão em queda, com o PS a canibalizar parte do seu eleitorado. E num cenário com eleições antecipadas, ambos corriam o risco de ser ultrapassados pelo Chega no Parlamento.

Este orçamento até tem medidas simpáticas para muitos contribuintes: as famílias com menos rendimentos vão ter alguma poupança no IRS, melhoram as deduções das despesas com filhos e acaba o famigerado pagamento por conta para as empresas, uma dor de cabeça para a tesouraria de tantos pequenos negócios. Mas desengane-se quem pensa que em 2022 haverá menos impostos.

Com um Estado cada vez mais gastador, a economia e os contribuintes estão condenados a pagar cada vez maiores tributos, se não for diretamente, indiretamente, como se nota cada vez que os automobilistas metem combustível no automóvel: a parte de leão da fatura é a brutal carga do Fisco.
Ver comentários