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Correio da Manhã

Opinião
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Patriotismo perigoso

Crise humana na fronteira polaca agudiza polarização do país.
Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 18 de Novembro de 2021 às 00:32
O agudizar da crise migratória na fronteira da Bielorrússia com a Polónia não antecipa apenas uma prolongada e inaceitável crise humana.

A tentativa de encurralar seres humanos num beco com saída incerta às portas da Europa democrática, protagonizada pelo inenarrável Presidente bielorrusso, está a ter um forte impacto na polarizada sociedade polaca.

A forma violenta como a partir de Varsóvia o governo de extrema-direita tem gerido a crise dos refugiados está a multiplicar as críticas da oposição que não aceita a repressão contra migrantes nem a aplicação de penas, que podem ir até aos oito anos de cadeia, a polacos que ousem dar guarida àquelas pessoas, nas quais se incluem muitas crianças.

Aos atropelos humanos contra refugiados, num território que se fez país à custa de movimentos migratórios, juntam-se a recente legislação contra o aborto e a interdição da educação sexual nas escolas. Em nome de um patriotismo bacoco. São ações que estão a dividir perigosamente uma Polónia cada vez mais acantonada numa deriva antidemocrática na qual florescem os movimentos favoráveis à saída do país da União Europeia. E isso não é nada saudável para a Europa.
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