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Correio da Manhã

Opinião
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Ricos e pobres

Há clubes endividados a ponto de terem de deixar sair as pérolas a custo zero, outros fecharam as portas e jogam na distrital.
Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 25 de Novembro de 2021 às 00:31
Os mais de 40 processos em investigação sobre o futebol demonstram uma realidade inexorável, que não precisa de prova judicial. Quanto mais ricos são os presidentes, dirigentes, empresários ou meros facilitadores, mais pobres são os clubes.

Da Liga aos escalões secundários, dos clubes que ainda não foram inteiramente comprados por investidores chineses, colombianos, brasileiros ou outros, aos que já são mera lavandaria, a realidade é sempre a mesma.

Há clubes endividados a ponto de terem de deixar sair as pérolas a custo zero, outros fecharam as portas e jogam na distrital, alguns apresentam um relatório e contas assente numa dívida rolante insustentável. No polo oposto, os presidentes, dirigentes, empresários ou meros facilitadores ostentam um património faraónico, em casas, carros e contas offshore.

Como em Portugal prevalece a ideia de que no futebol não se toca, o Estado, os governos e partidos fecham os olhos – com a histórica exceção de Rui Rio -, e os portugueses vão pagando os novos totonegócios de isenções, facilidades e regalias. Em mais um dia de buscas da operação Fora de Jogo, esperemos, ao menos, que o músculo do Ministério Público e da Autoridade Tributária evite que nos empurrem a todos para fora do campo.
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