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Correio da Manhã

Opinião
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Sinais de desnorte

Na pandemia, tivemos Gouveia e Melo. E agora, quem nos acode?
Paulo João Santos 23 de Setembro de 2022 às 00:32
Nota-se uma certa desorientação do Governo face à crise económica e social em que estamos mergulhados - e com alguma probabilidade de nos afogarmos. O corte não assumido nas pensões, o constante desacerto de opiniões no seio do Executivo, e no PS, e o taxa-não-taxa dos lucros excessivos são sinais evidentes desse desnorte. Mas o principal motivo está na falta de previsão e antecipação do que aí vinha e que se vai agravar.

Basicamente, Costa e a sua equipa foram surpreendidos e agora não encontram a chave do cofre que guarda o antídoto.

As perspetivas do Conselho das Finanças Públicas apontam para um cenário muito sombrio. Em 2023, a economia vai estagnar ou entrar em recessão e nos anos seguintes a recuperação será tímida. Trabalhadores e pensionistas vão perder rendimento, logo poder de compra. Vamos viver pior.

Na pandemia, o Governo recrutou, em boa hora, o então vice-almirante Gouveia e Melo para liderar o combate à Covid. Talvez não seja má ideia, face às dificuldades evidentes do Executivo em lidar com a crise inflacionista, chamar para o teatro de operações alguém que nos consiga tirar deste filme. E pode vir de camuflado.
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